Sunday, February 10, 2008

um lugar encantado

"um lugar encantado
entre o mundo e a solidão,
onde se espreitam estrelas
e a vida cabe nas mãos...

sento-me em frente ao mar
olho para longe do fim
perdem-se barcos na espuma
não sei se dentro de mim...

e fico um pouco mais...
gosto de anoitecer aqui,
só neste lugar tudo faz sentido
mesmo sem ti.

numa praia onde a noite
me faz lembrar quem eu sou,
sem ouvir o que me pedem,
sem importar o que dou.

antes de todas as mágoas
havia o mesmo luar
só eu cumpri a promessa
de cá voltar.

e fico um pouco mais
gosto de anoitecer aqui
só neste lugar tudo faz sentido
mesmo sem ti."

Mafalda Veiga

a vida não pára para ninguém...
serena ela vai caminhando independentemente das tristezas e desilusões que nos assaltam.
A cada tempestada que destroi o porto seguro da nossa alma, a vida ensina a reconstruir trazendo novas batalhas, novas ilusões, novas vitórias, novas derrotas...
e quando tudo parece um regresso ao que já aconteceu, num repente, o passado se faz presente...

tudo agora tem um outro sentido, e a ausência desperta a saudade... sem sequer se conseguir percepcionar a imagem que serena ganha forma no nosso olhar... fica a promessa desse lugar encantado que sabemos, um dia, ser possível encontrar...

talvez em ti... não sei...

a espera é um desafio...

Friday, February 01, 2008

...morrer lentamente...

"Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is"
em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade."

Martha Medeiros

por vezes vasculhar o nosso baú de memórias traz-nos às mãos, num acaso propositado, recortes do que um dia aconteceu, que nos fazem pensar novamente... pensar um pouco mais...

existem palavras que um dia nos foram ditas que se revestem agora de um sabor diferente e que só neste presente (igual a tantos outros) assum realmente o significado que um dia foi intenção assumirem...

e agora cada uma delas parece fazer sentido quando tentam dizer-me que "morre lentamente" quem não vive o hoje livre do ontem e voltado para o amanhã...
mas libertarmo-nos desse ontem (que ainda ontem era um hoje) pode doer tanto... a nós e aos outros...

e depois, "morre lentamente" quem evita uma paixão, que abandona um projecto antes de inicia-lo, quem não arrisca o certo pelo incerto para perseguir um sonho... quem simplesmente não se permite sentir com medo que o medo de perder deixe de ser medo e passe a ser certeza... "morre lentamente" quem não aceita viver intensamente cada momento escasso que a vida oferece... e viver pode doer angustiantemente... mas pode também invadir-nos de um aroma veludo de conforto e satisfação...

...simplesmente não sei o que fazer...