Monday, January 31, 2005

natureza

Hoje, enquanto lia um artigo sobre o sismo com que a imprevisibilidade da natureza nos presenteou durante a época natalícia, salientou-se na minha leitura uma expressão da autora - Faiza Hayat: "Horrível é a natureza não ter maldade."
Realmente, a natureza surpreende-nos com fenómenos que simplesmente não têm uma razão, simplesmente acontecem independentemente da nossa vontade, e resultam tantas vezes em morte.
É a imprevisibilidade destes momentos, que não passam apenas por catástrofes globais, mas também por acontecimentos pessoais que assumem porpoções comparáveis com a emoção envolvida em tais catástrofes (como é o exemplo da morte súbita das pessoas que amamos) que nos faz sentir pequenos e impotentes.
No entanto, continuo sem saber se o que me assusta mais é a ausência de maldade nestes acontecimentos imprevisíveis, mas que no fundo sabemos que podem acontecer, ou a existência crescente do individualismo humano que alimenta inconscientemente uma maldade voraz que muitas vezes assume porpoções e consequências por mim consideradas bem mais graves que as que acontecem graças à imprevisibilidade da natureza.
O homem consegue ser possuidor de uma maldade que compensa aquela que não existe na natureza.
Talvez seja isso que destroi, não o SER, mas a vontade de SER...

Friday, January 28, 2005

sonho

hoje sonhei... e o sonho trouxe a saudade de um gesto à tanto ausente e que não mais receberei...
o sonho "avivou" a dor da ausência de todas as expressões de carinho que tantas vezes pareceram fazer milagres...
um rasgo de dor atravessou-me o corpo e fez-me desejar o afago doce que tranquilizava a inquietação desesperada da minha condição de ser mulher...
e do sonho escorreram brilhos de sal, resultado de um misto de dor contorcida pela saudade desses gestos ausentes e que, por certo, não mais se repetirão...
é nestes momentos que sinto forte que "nem sempre o tempo acalma qualquer dor" ...

Thursday, January 20, 2005

+ divagações

Ouço uma música que me faz divagar nos meus pensamentos... que me faz pensar na vida e em tudo o que me tem acontecido... será que o que vivemos está realmente pré-definido ou somos nós que o definimos com as consequências de cada passo que damos? Terei eu algum poder para alterar a sequência dos acontecimentos, dependerá realmente o que vivo daquilo que escolho fazer?
Às vezes não sei o que controla o quê, não sei sequer se há controlo...
As coisas parecem atropelarem-se umas às outras na ansiedade de acontecerem, sem qualquer organização, surgindo do nada, sem aviso ou notificação... o que escolhemos revela-se como uma caixa de surpresas e, na realidade, não acredito que possamos estar preparados para tudo o que advém dessas escolhas... cada vez acredito mais que quanto mais vejo do mundo que me rodeia, menos o conheço...

verdades

Continuo sem acreditar no que aconteceu... ás vezes as verdades são demasiado difíceis de aceitar e ultimamente tenho sido presenteada por algumas dessas.
Traição, infedelidade? as pessoas são tão fracas... é impressionante como alguns valores que (pelo menos eu considero) são indispensáveis à vida social, pessoal e emocional parecem estar a desvanecer-se a uma velocidade impressionante... é certo que ninguém é perfeito, mas será aceitável este tipo de comportamentos? Haverá lugar ao perdão?

Saturday, January 15, 2005

conhecer

é interessante a capacidade que algumas pessoas possuem de medir e ponderar cada gesto, quando a insegurança as assalta... quantas vezes essa capacidade resulta numa "naturalidade forçada" que parece surgir espontaneamente...
é curiosa a forma como tentamos conhecer sem que percebam que precisamos "invadir" o espaço do outro de modo a sentirmos que nos movimentamos sem receio... é curiosa a necessidade de conhecer primeiro, para só então dar a conhecer...
a melhor forma de conhecer parece ser observar, questionar e, então, concluir...
é no mínimo caricata esta necessidade de conhecer os outros, e curiosa a inquietação quando não conhecemos primeiro...

o que me prende

Às vezes rasgam-me o peito como que se quisessem arrancar, não uma parte, mas toda a vida que consigo manter lá dentro...
às vezes sinto que me prendem a um vazio cujas amarras mais parecem apenas minhas... sinto que me soltam e me prendem numa responsabilização permanente de atitudes que não me pertencem e que querem por força que assuma e solucione...
às vezes parece que não consigo brilhar nesta vida e que a minha luz se extinguiu com a partida daqueles que amo... às vezes sinto que apenas sobrevivo porque não me deixam viver...
será esta avaliação de mim fiel ao que sou ou ao que fui?
e no entanto o mais difícil é a decisão... a vontade de mudar e crescer novamente... o que me prende?...

Wednesday, January 12, 2005

contradições

sinto-me perdida à espera que a inspiração chegue... uma melodia atravessa-me a mente e na sua tranquiliade faz-me recordar a raiva que senti hoje num momento em que a desorganização aparentemente organizada se fez sentir e colocou em causa a competência profissional de algumas pessoas, nomeadamente eu.
Já não me recordo se agi ou reagi perante as palavras enraivecidas que surgiam atrapalhadas de alguém indignado e ainda não consegui compreender se a razão me presenteava a mim ou a essa pessoa. É estranho passar por uma prova como esta e, principalmente, sentir-me do outro lado, na posição que tantas vezes critiquei antes de iniciar o meu exercício profissional.
Estarei eu a tornar-me naquilo que sempre reprovei enquanto prifissional? Terá o sistema assim tanta força ou é mais fácil a acomodação?

entendimento

"Quanto mais entederes sobre ti mesma, mais entenderás o mundo."

Paulo Coelho, in Brida
será que não me entendo?...

Tuesday, January 11, 2005

inquietação

"Sou todo nervos, todo ansiedade
Em mim a angústia e a impaciência moram
E me consomem, todo me devoram
Em cada instante que é eternidade.
Tento conter a irritabilidade
E as explosões que a custo não me afloram
Esperas são fantasmas que apavoram
E fazem-me beirar a insanidade.

Sinto meus nervos tensos, esticados
Por vezes totalmente arrebentados
Como cordas de um pinho destruído.

Caminho a passos largos pela casa...
Quero vencer um vendaval que arrasa
E no meu peito inteiro está contido."
Aramis Ribeiro Costa
há dias em que as palavras não são capazes de ser a expressão fiel do que nos vai cá dentro, apenas uma aproximação por defeito que se aperfeiçoa à medida que vamos esclarecendo as dúvidas... no entanto tudo parece resultar em inquietação...

Monday, January 10, 2005

dúvidas...

hoje uma dor rasga-me a mente... a maquilhagem que o meu rosto desfila parece esconder um amontoado de dúvidas com uma forma que até agora não conhecia... a vida pode ser tão estranha...
às vezes as coisas que tomamos por certas resultam, de um momento para o outro, sem explicação nem aviso, em dúvidas que abalam todo o sonho que planeamos com as decisões que tomamos...
é estranho como, de repente podemos, mesmo sem querer, entrar no mundo de alguém e simplesmente alterá-lo por completo... é estranho como se mostra impossível controlar o impacto do que nos fazem e do que fazemos.
assusta-me, quando temos consciência do que temos nas mãos, e não temos a certeza do que queremos fazer com isso...

Friday, January 07, 2005

divagações

Escrever sem rumo, sem direcção, sem sentido... escrever sem pensar no que penso, no que sinto, no que sou... hoje apetece-me escrever assim... escrever sem nexo, sem estar a pensar no que vou pensar amanhã quando voltar a ler o que escrevi.
Divagar, deixar-me voar no vazio, passear pelo nada e exultar ao máximo o prazer da liberdade. Soltar as amarras que me prendem ao cais e deixar o navio saborear o vento e partir ao ritmo da maré... deixa-lo seguir no ondular suave das ondas, sem impôr um rumo, um caminho.
Silêncio, senti-lo no fundo e deixá-lo entrar e invadir o corpo... passar a não pensar, sentir sem ter sentido... voar pelo imenso azul, repousando no emergir dos sentidos... explodir no íntimo com o vaso que transborda mas não parte... ser louca por um instante que se prolonga pela eternidade...
Saborear os prazeres que a vida expõe em bandeja e oferece sem esperar retorno... gozar o mundo com o mundo que se opõem à apatia... gozar a vida com a vida de cada dia.
Brincar com as palavras que saltitam em cada mente, construindo histórias unidireccionais, sem sorte, sem paz, sem fado...
Escutar a melodia da terra, cantar em coro com os grilos, dançar na relva, rolar na lama, sentir a chuva, roubar uma flor...
Viver a liberdade de ser única e só eu, sem as correntes de uma utopia feita sentimento...
Viver sem esperar o amanhã esperado...
Viver a surpresa que a vida revela em cada instante, sem expectativas, sem esperanças, sem destino...
Viver, tão só viver...
Viver para um dia não ter medo de morrer...

Sunday, January 02, 2005

escolhas

Li mais nestes últimos dias do que num ano inteiro.
Num qualquer livro que o acaso me fez vir para às mãos, e que apresenta uma história aparentemente simples e trivial, como julgamos ser tantas outras, encontrei um emaranhado de palavras que me fez pensar:
"Quando partimos,não sabíamos para onde íamos nem porque motivo íamos. Fomos apenas.
Seguimos o impulso que brotava dentro de nós e que nos impelia para uma vida nova.
Quando estamos atentos, apercebemo-nos que ao longo da nossa vida vão-se-nos deparando constantemente vários caminhos pelos quais temos que nos decidir.
Simultaneamente, enquanto escolhemos um, há outro que deixamos para trás - é inevitável.
O caminho que escolhemos depende apenas de nós."
É estranha esta sensação de que podemos decidir o nosso caminho... quantas vezes o que nos acontece nos leva a acreditar que muitas das nossas escolhas são condicionadas pelos e pelo que nos rodeiam. Mas claro que ninguém escolhe por nós.
Seja qual for a situação na vida, temos que escolher. Muitas vezes em escolha múltipla, outras em sim ou não, faço ou não faço, aceito ou não aceito. Mas há uma escolha a ser feita.
Mas e aqueles momentos em que não tens escolha? Em que é aquilo e pronto? eu já passei qor momentos assim e a situação simplesmente não me deu oportunidade de escolha. Ou será que deu e simplesmente eu não quis ver, e preferi viver esses momentos de "olhos a dormir"?
Às vezes é o caminho mais fácil acreditarmos que não nos foi dada oportunidade de escolha, mas a escolha acontece sempre, mesmo inconscientemente.